Por: Verena M. Potres e Vanessa Zirondi Longhini

Durante o ano o produtor sempre realiza seu planejamento se deparando com diversas questões, entre elas estão a necessidade de recuperação de áreas degradadas, redução dos custos de produção e uso intensivo da área durante todo o ano entre outros. Com isso, tem se buscado tipos de sistemas com o intuito de minimizar estes entraves durante o ciclo de criação. Atualmente o vem se explorando e divulgando os Sistemas Integrados.

Mas o que é exatamente o Sistema Integrado?

Uma definição proposta por pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, Embrapa Cerrados, Embrapa Milho e Sorgo e Embrapa Arroz e Feijão, que avaliam esses sistemas é: “Integração lavoura-pecuária são sistemas produtivos de grãos, carne, leite, lã, e outros, realizados na mesma área, em plantio simultâneo, sequencial ou rotacionado, onde se objetiva maximizar a utilização, os ciclos biológicos das plantas, animais, e seus respectivos resíduos, aproveitar efeitos residuais de corretivos e fertilizantes, minimizar e otimizar a utilização de agroquímicos, aumentar a eficiência no uso de máquinas, equipamentos e mão-de-obra, gerar emprego e renda, melhorar as condições sociais no meio rural, diminuir impactos ao meio ambiente, visando a sustentabilidade” (MACEDO, 2009).

O Sistema Integrado nada mais é do que um manejo revezado das atividades de agricultura e pecuária dentro de uma mesma área da propriedade, buscando construir uma prática sustentável, gerando economia e rentabilidade ao produtor.

Ao adotar este sistema o produtor tem a possibilidade de produzir alimentos, carne, leite, e até mesmo floresta ao adotar o sistema integrado silvipastoril, tudo isto em uma mesma área agricultável, maximizando os efeitos desejáveis no ambiente, aliando o aumento da produtividade dos recursos naturais no processo de intensificação do uso da área.

A cartilha de Integração Lavoura Pecuária Floresta da Fundação Casa do Cerrado diz que este sistema é economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente justo. O sistema vem se modernizando com a inclusão de novas técnicas e cada vez mais vem sendo difundida no meio rural.

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Como implantar o sistema?

Planejamento: após um diagnóstico da propriedade feito por um técnico com conhecimento na área será feito um planejamento com estabelecimento de metas e cronograma de atividades. Deve ser feito um estudo de mercado para que se possa orientar nas tomadas de decisões a respeito do que será implantado.

Assistência técnica: é fundamental que o produtor tenha como apoio e orientação um técnico capacitado para orientar em todas as fases do projeto.

Adequação da área: esta adequação dependerá de qual estratégia será adotada para a propriedade. Ex: preparo de solo, curvas de nível, controle de formigas e cupins, análise e correção do solo, etc.

Preparo do solo: a preparação do solo é fundamental para o sucesso da cultura implantada, é realizada com gradagem e incorporação de corretivos (calagem, gessagem e fosfatagem, após a análise de solo) e destorroamento do solo.

Rotação de culturas: o ideal para a implantação do sistema é a rotação de culturas para formação da pastagem. Podem ser usadas leguminosas que proporcionam melhora na estrutura física e química do solo, isso acontece devido ao sistema radicular profundo que causa uma descompactação do solo e ao resíduo dessas forrageiras que ficam no solo para decomposição e, realizando uma reciclagem de nutrientes com o solo. Na implantação sucessiva de culturas é desejável fazer plantio direto que consiste em deixar a superfície do solo coberta com palhada, com o intuito de reduzir erosões provocadas pelo vento ou gotas de chuvas, uma vez que a palhada reduz o impacto da água no solo, retardando sua infiltração outra vantagem é na melhora da qualidade química do solo, devido à decomposição da palha, aumentando o teor de matéria orgânica do solo, tendo como vantagem a redução no uso de insumos químicos.

Plantio: é necessário atentar para a época adequada para o plantio da cultura adotada, com exigências de solo adequadas e espaçamento correto. Lembrando que, 30 dias após o plantio deve ser realizada a adubação de cobertura.

Colheita: cada cultura possui seu ponto ótimo de colheita, por isso, deve-se atentar ao tempo ideal que esta deve ser colhida.

Pastagem: após a colheita da cultura deve ser semeado o capim que servirá como alimento para os animais. A semeadura pode ser realizada a lanço ou por maquinário. Após o pastejo, ocorrerá a formação de palhada, que será utilizada no sistema de plantio direto (SPD).

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Quais as vantagens em se adotar este sistema?

  • Melhoria na fertilidade do solo devido as diferentes culturas, gerando maior reciclagem de nutrientes;
  • Melhor controle de doenças, pragas e plantas daninhas, devido a rotação de culturas;
  • Melhor cobertura do solo devido à produção de palhada ( SPD), reduzindo o impacto das gotas de chuva, com isso reduz perdas por lixiviação de macro e micronutrientes encontrados no solo;
  • Menor área para implantação da criação;
  • Ao utilizar um mesmo local para cultivo e criação animal o produtor também sente os benefícios no bolso.

Levando em consideração tudo o que foi apresentado, existem várias maneiras para se implantar o sistema integrado, escolha da área, das culturas para consórcio, melhor período de implantação, espécie animal, qual corretivo ou adubo utilizar, qual a melhor maneira de se preparar o solo. Para resolver estas dúvidas o primeiro passo que o produtor deve realizar é procurar por assistência técnica, com isso será realizado um planejamento para sanar qualquer dúvida que possa surgir e se ter sucesso na produção.

Referências Bibliográficas

MORAES, K. Integração lavoura-pecuária: saiba como aumentar a produtividade de maneira sustentável. Disponível em: <http://agricultura.ruralbr.com.br/noticia/2012/01/integracao-lavoura-pecuaria-saiba-como-aumentar-a-produtividade-de-maneira-sustentavel-3610284.html>. Acesso em 24 de set. 2014.
Cartilha Integração Lavoura Pecuária Floresta, Fundação Casa do Cerrado. Disponível em: Disponível em: <http://www.fbb.org.br/data/files/32/03/57/06/C6FBF3101298EBF3BD983EA8/cartilha_ilpf_17_final.pdf>. Acesso em 24 de set. 2014.
MACEDO, M.C.M. Integração lavoura e pecuária: o estado da arte e inovações tecnológicas. Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, MG, v.38, supl. especial, p.133-146, 2009.

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