É comum por parte dos produtores que buscam rentabilidade por meio da ovinocultura de corte acreditar na genética melhoradora como principal alternativa para maiores lucros e, desta forma, direcionar para este sentido os investimentos iniciais do empreendimento.

Para atender às exigências nutricionais de ovinos de alto desempenho zootécnico é necessário um planejamento anual preciso para que nenhuma categoria seja penalizada e, consequentemente, para que não haja prejuízos diretos na seleção do rebanho. Ao se conhecer às exigências específicas de cada categoria e o potencial de produção de forragem da propriedade, é possível aplicar medidas corretivas para fechar as dietas e definir a necessidade de suplementação com farelos, forragens conservadas ou reservas de piquetes mais produtivos e nutritivos. Vale ressaltar, então, a importância de se planejar o manejo da pastagem e o consequente ajuste da lotação e nutrição do rebanho, a fim de se obterem melhores resultados no final da estação.

É muito comum o desconhecimento quase que total do potencial produtivo do rebanho fato que torna prática corriqueira a mudança constante na escolha da ‘cabanha’ ou da raça utilizada quando as contas não fecham no fim da estação. Aumentar a eficiência produtiva do rebanho e comercializar animais com desempenho zootécnico comprovado são os principais desafios da ovinocultura brasileira. Assim, para que haja inversão de valores dentro da cadeia da ovinocultura de corte é necessário antes que haja conscientização do produtor para o fato de que o ovino nada mais é que um ‘empregado’ da fazenda. Em outras palavras: para valer o que ele come, ele tem que produzir. Faz-se claro que o mundo das ‘pistas’ não representa a realidade de um sistema de produção e está repleto de falhas para o que diz respeito à ‘revelação’ de animais geneticamente melhoradores.

Qual é o real significado de genética melhoradora?

A indústria ovina na Nova Zelândia possui visão em longo prazo de liderança e viabilidade do setor no mercado internacional agropecuário principalmente por meio do marketing eficaz de produtos premium que satisfaçam às expectativas dos consumidores e que, preferencialmente, sejam produzidos de forma sustentável. O setor agropecuário neozelandês é mundialmente reconhecido pela garantia em excelência e inovação na pesquisa, desenvolvimento tecnológico e transferência de conhecimento ao longo da cadeia produtiva. É amplamente consciente o dever das ‘fazendas de elite’ da Nova Zelândia em produzir um animal geneticamente superior por meio de técnicas de melhoramento. Da mesma forma, é dever do produtor de cordeiros o acompanhamento do desempenho produtivo dos animais da fazenda para que se definam as metas para o giro do negócio.

Seleção genética se inicia com inspiração

Assim, para se fazer uso do melhoramento zootécnico animal e, consequentemente, da eficiência produtiva deste com a finalidade de se aumentar a vantagem competitiva e a rentabilidade na indústria ovina brasileira, faz-se imprescindível a necessidade de um serviço de avaliação genética adequado, de sua promoção bem como ampla acessibilidade ao produtor.

A CordeiroBIZ apresenta aos produtores ferramentas simples, mas certeiras, que podem auxiliar o produtor na seleção de seus animais sempre em busca de melhores índices produtivos no rebanho. A seleção orientada é o caminho mais preciso para a eficiência produtiva.

O ‘rastreamento genético’ do desempenho zootécnico do rebanho é ingrediente-chave em qualquer sistema de produção animal uma vez que permite a seleção de indivíduos que atinjam os objetivos pré-determinados do sistema. Apesar de as raças possuírem características genéticas intrínsecas, a variação individual dentro de um mesmo grupo é alta e a influência desta é diretamente proporcional na padronização do desempenho produtivo do rebanho.

É partindo dessa premissa que a CordeiroBIZ em parceria com a Cabanha Mantovinos, localizada em Porangaba – SP, trabalha a relação íntima entre seleção genética e produtividade (aumento na eficiência de produção). Após definir o manejo da pastagem da fazenda e o planejamento nutricional do rebanho, o zootecnista e proprietário da Mantovinos, Renato Mantovani, iniciou a implantação da S.I.L. – Sheep Improvement Limited (Melhoramento Ovino Ltda) em seu primeiro lote, que são os nascimentos 2011/2012. Motivado pelo que já conhecia sobre a produção de ovinos na Nova Zelândia, decidiu ser um dos pioneiros ao desenvolver o programa na sua propriedade, estimulando assim outros produtores a seguirem o mesmo caminho. Essa realidade é concreta e ao Renato já é possível comparar o desempenho dos reprodutores adquiridos pela fazenda.

A S.I.L. foi fundada pela organização Beef+Lamb New Zealand para avaliação genética ovina na Nova Zelândia. Ela é também financiada pelos produtores e pelos serviços prestados às propriedades. A esmagadora maioria dos ovinocultores neozelandeses faz uso do sistema da S.I.L. para calcular o desempenho produtivo dos animais e realizar a avaliação do ganho genético alcançado pela propriedade ao longo do processo de seleção. O programa está disponível no Brasil por meio da CordeiroBIZ.

Vale lembrar que 80% do progresso genético é atribuído na escolha do reprodutor. A utilização mais eficiente dos reprodutores na propriedade é uma das maneiras mais simples e rápidas de melhorar a produtividade. No entanto, torna-se crucial que haja uma forte pressão de seleção vinda do rebanho de onde o carneiro for oriundo. Por ser um objetivo em longo prazo, o melhoramento genético requer comprometimento e foco. É preciso, então, que haja uma forte sintonia entre o produtor de cordeiros e o produtor de genética.

Visitar ou ler sobre a ovinocultura em países ‘de ponta’ como a Nova Zelândia desperta em nós o desejo de encontrarmos enfim uma identidade para a produção ovina no Brasil. Portanto, produtor, a escolha é sua e o momento é agora.

Equipe CordeiroBIZ

Artigo publicado na Revista ARCO, Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos, Agosto – 2013 | Ano 01 – Nº 03: seleção genética se inicia com inspiração.