A ovinocultura de corte está aquecida e o preço pago pelo cordeiro obtendo altas significativas. Já tivemos momentos passados de aquecimento do setor, mas tivemos, também, momentos de crise e desestímulo. Nesse cenário otimista inseriria-se a oportunidade de aprender com alguns erros cometidos no passado, ‘olhando’ para quem já está no futuro.

É comum depararmos com propriedades que possuem um número reduzido de matrizes (abaixo de 100 cabeças), estas normalmente criadas sem um sistema de produção definido e, principalmente, sem foco. Quando se avalia o histórico dessas propriedades nos períodos de aquecimento do setor, o produtor, uma vez motivado, adquiriu animais, buscou informações regionais sobre a criação de cordeiros, utilizou-se de sua experiência como pecuarista (não necessariamente como ovinocultor) e acreditou possuir ferramentas o suficiente para o sucesso do negócio. Mas devido a uma seqüência de fatores negativos (morte dos animais, mão-de-obra desqualificada – “animal difícil de criar”, dificuldades de comunicação com a cadeia como um todo), a produção de ovinos de corte foi sendo ‘deixada de escanteio’, foi abandonada a visão comercial do negócio, pelo qual o abate do cordeiro informal passou a ser uma saída para algum tipo de retorno financeiro.

Ao iniciar a atividade, devem ser cumpridos os pré-requisitos de um cenário macro para, então, com clareza, definir qual será o foco da criação de ovinos, qual o sistema de produção e quais as raças ou cruzamentos trarão os melhores resultados para a realidade da região, ‘dentro e fora da porteira’. Se não há conhecimento dos objetivos, em qualquer lugar que o negócio alcance será satisfatório. Confortável e fácil pensar assim, mas se a falta de foco não for invertida, não será possível planejar e organizar a produção.

Foco na produção de cordeiros 'dentro da porteira'. Uma matriz deve ser capaz de produzir a maior quantidade em quilos de cordeiros desmamados, provando resultados.

Foco na produção de cordeiros ‘dentro da porteira’. Uma matriz deve ser capaz de produzir a maior quantidade em quilos de cordeiros desmamados, provando resultados.

Encontramos no Brasil algumas dezenas de propriedades que atuam na ovinocultura de corte de forma bem sucedida, pois a partir de um foco planejaram seu sistema de produção. Essa organização é fundamental. Quando se organiza o ciclo de produção, definem-se estações de monta ao longo do ano, é possível planejar o nascimento dos cordeiros e, consequentemente, prever a desmama; se o confinamento for uma opção, ele será mais rentável, pois os lotes de cordeiros estarão concentrados em épocas pré-determinadas do ano. O planejamento focado em objetivos também promove a otimização da mão-de-obra na propriedade, seguindo o mesmo contexto da organização.

Por que não aprender com quem já sabe, fez e faz direito? Além dos exemplos bem sucedidos aqui no país, devemos considerar os países que já estão mais avançados em termos de estruturação da cadeia – ovinocultor-universidade-tecnologias-mercado – tais como Nova Zelândia e Austrália. Temos exemplos que funcionam, que poderíamos adaptar para as nossas condições (superar nossas limitações e explorar nossas riquezas) e, dessa forma, mudarmos o diálogo dos produtores para uma visão otimista.

Outros segmentos de produção de carne se modernizaram a partir do momento que cada segmento da cadeia traçou metas e se organizou para cumprí-las. Hoje contribuem com posição de destaque no nosso PIB agrícola, como a bovinocultura e avicultura de corte. O que está faltando? O que está errado? Vamos nos comunicar e, principalmente, vamos encontrar soluções. A ovinocultura necessita entrar em um ‘sistema de organização’: organização dentro da porteira, organização da cadeia, organização das pessoas.

Equipe CordeiroBIZ