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Autor: Rafael Fernando dos Santos, Zootecnista e Mestre em Zootecnia, CEO da CordeiroBIZ.

 

A carne ovina clandestina representa um problema para a ovinocultura de corte brasileira devido à falta de inspeção sanitária e padronização do produto final (SOUZA, 2012). O abate clandestino é um fator que limita a melhora das relações contratuais entre a indústria e o varejo, pois não resulta em cortes padronizados e marcas, nem garante a segurança sanitária ao consumidor, vez que no mercado informal não se faz exigências quanto a qualidade dos produtos, que são distribuídos sem condições adequadas de transporte (SORIO e RASI, 2010).

Durante o período de 1976 a 2010 houve a consolidação do rebanho ovino nas regiões Nordeste e Sul do país, seguido do crescimento no rebanho ovino da região Centro-Oeste (HERMUCHE, 2012), e abriu mercados de grande potencial para consumo da carne ovina e de seus coprodutos (GERON, 2012). A produção de ovinos no estado do Paraná possui aptidão para corte, em sistemas mais intensificados, organizados em cooperativas e utilizam tecnologias de produção como pastagens plantadas, suplementação e sistemas integrados de produção agropecuária (PIRES, 2014). Atualmente, o estado possui um rebanho estimado de 650 mil cabeças (IBGE, 2014).

A carne ovina está em ascensão no mercado e os consumidores passarão a exigir requisitos de qualidade e padronização, que devem ser alcançados com melhorias nos indicadores zootécnicos para atingir o potencial de consumo nos principais centros urbanos do país, além das oportunidades para exportação (BORTOLI, 2008). Em estudo desenvolvido sobre a preferência e satisfação quanto ao consumo e aquisição de carne ovina nas cidades de Londrina e Maringá, foi identificado que existe possibilidade de expansão ou aumento na frequência de consumo da carne, desde que aspectos negativos, tais como disponibilidade e preço, sejam contornados (FIRRETI, 2013).

Algumas tecnologias ganharam espaço dentro da produção de ovinos, como a inseminação artificial, melhoramento genético e técnicas de nutrição, como a utilização de flushing, pastejo rotacionado e implantação dos sistemas integrados de produção agropecuária, o que resultou na produção e entrega de animais precoces e padronizados para frigoríficos legalizados (LUCENA, 2006). É necessária a utilização de brincos, software, chips, computador ou mesmo caderno de anotações para a identificação e registros de ocorrências importantes no rebanho que influenciam na produtividade e redução dos custos. Porém, em estudo realizado por Porto (2011), foi identificado que pelo menos 50% dos produtores não controlam adequadamente sua produção.

Os agentes que participam dos processos de produção da carne ovina podem se organizar em diferentes estruturas para realizar a gestão entre a demanda e a oferta do produto no mercado. Entender a atual estrutura e os possíveis arranjos produtivos da ovinoculltura de corte é fundamental para desenvolver Sistemas de Gestão da Qualidade (SGQ) que minimizem as perdas que ocorrem ao longo da produção, principalmente dentro da propriedade rural, e melhore a relação entre os agentes com transações mais confiáveis e eficientes entre eles.

As principais iniciativas de organização da produção na ovinocultura de corte no Brasil podem ser caracterizadas como: Associativismo, Cooperativismo, Integração Vertical (domínio hierárquico) e Formas Hibrídas. O associativismo e o cooperativismo têm a função de organizar um número de produtores, coordenando a produção de forma horizontal, com o objetivo de escoar a produção para o mercado. Na integração vertical a produção pode dividir-se em uma série de etapas tecnologicamente separadas, mas organizadas e coordenadas numa hierarquia, com o objetivo de atender o mercado com escala. As formas híbridas envolvem a adoção de arranjos diversos nas transações de uma mesma matéria-prima, como exemplo o caso de cooperativas e associações que alugam frigoríficos para o abate dos animais (MEDEIROS, 2009).

No entanto, o desafio do setor produtivo reside em criar capacidade de oferta de produtos cárneos ovinos para diferentes mercados, desde nichos altamente especializados até mercados de consumo em massa (VIANA, 2013).

Portanto, é urgente a organização dos ovinocultures para produzirem cordeiros com eficiência e de forma rentável, bem como entender os requisitos de qualidade demandados pelo mercado. Do lado de fora da porteira, também é necessária organização, e neste cenário competitivo, podemos destacar as cooperativas, que ao longo do tempo demonstraram que estão cada vez mais adaptadas ao ambiente empresarial. As cooperativas são organizações de grande influência nacional em diversos setores da sociedade, principalmente na agroindústria, e o estado do Paraná é fortemente marcado por esta atividade, principalmente na região oeste do estado (BORGES, 2011).

Assim que for organizada profissionalmente do campo ao prato, a ovinocultura deslancha!

 

Contato do autor: rafael@cordeirobiz.com.br

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BORGES, R. Gestão estratégica na visão cooperativista: um Estudo de caso em uma cooperativa central Agroindustrial do oeste do paraná. Dissertação de mestrado apresentada na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Ponta Grossa, 15 p., 2011.

BORTOLI, E.C. O mercado de carne ovina no Rio Grande do Sul sob a ótica de diversos agentes. 2008. 140 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Centro de Estudos e Pesquisas em Agronegócios, Programa de Pós-Graduação em Agronegócios.

FIRRETI, R.; OLIVEIRA, E.C.; OLIVEIRA, D.E.S.; CARVALHO FILHO, A.A. Características e preferências de consumo de carne ovina nas cidades de Londrina e Maringá. Synergismus scyentifica UTFR, Pato Branco, v.8, n.2, 2013.

GERON, L.J.V.; MEXIA, A.A.; GARCIA, J.; ZEOULA, L.M.; GARCIA, R.R.F.; MOURA, D.C. Desempenho de cordeiros em terminação suplementados com caroço de algodão (gossypium hirsutum l.) e grão de milho moído (zea mays l.). Archives of Veterinary Science, Curitiba, v.17, n.4, p.34-42, 2012.

HERMUCHE, P.M.; SILVA, N.C.; GUIMARÃES, R.F.; CARVALHO JUNIOR, O.A.; GOMES, R.A.T.; PAIVA, S.R.; McMANUS, C.M. Dynamics of sheep production in Brazil using principal components and auto-organization features maps. Revista Brasileira de Cartografia, Rio de Janeiro, n.64, v.6, p.821- 832, 2012.

LUCENA, L.P.; RODRIGUES, J.D.; FRATA, A.M.; DURAN, J.E.; Panorama da cadeia da Ovinocultura em Mato Grosso do Sul. Abrasul – Associação Brasileira de Administração Rural, Curitiba, III Seminário, 25 a 27 de junho de 2006.