As áreas de pastagens no Brasil somam aproximadamente 180 milhões de hectares, sendo 100 milhões ocupados com pastagens plantadas. Esta significativa extensão territorial ocupada por pastagens representa um enorme potencial produtivo que, para ser efetivamente alcançado, demanda por parte dos pecuaristas no sentido de aumentar a eficiência nos processos de produção de forragem e colheita eficiente da mesma.

Conhecimento e profissionalismo.

É do conhecimento de todos os que labutam nas diferentes frentes relacionadas à atividade pecuária que a produção animal em pastagens é a opção técnica que permite maior margem de flexibilidade no planejamento de sistemas de produção animal competitivos e economicamente viáveis, uma vez que os custos de produção são baixos e o produto animal produzido é altamente competitivo.

Por outro lado, o que se verifica na prática, nem sempre corresponde às expectativas. De acordo com informações da Embrapa, aproximadamente, metade das áreas de pastagens plantadas encontram-se em algum estágio de degradação, considerando-se desde uma queda de produtividade (kg de massa seca de forragem) até situações extremas em que a falta de forragem e a erosão inviabilizam a sustentabilidade do sistema pastoril.

Normalmente verificamos que ao se comentar sobre esta realidade, os olhares se voltam principalmente para o rebanho bovino, que alcança a marca de aproximadamente 200 milhões de animais tanto para corte como leiteiros. Porém, não devemos esquecer que nestes 180 milhões de hectares devem ser computadas outras espécies de herbívoros dentre eles os ovinos que, devido às particularidades da espécie, são animais extremamente habilidosos no processo de apreensão da forragem.

Apesar da pesquisa com plantas forrageiras tropicais e o manejo do pastejo ter aumentado de forma significativa nos últimos 15 anos, as informações produzidas necessitam ser apropriadas tanto para técnicos quanto para produtores. Infelizmente, os trabalhos com pastagens tropicais para a ovinocultura são em menor número e o desconhecimento das técnicas corretas de formação e manejo das plantas forrageiras permanece como incógnita por grande parte dos criadores de ovinos.

A intensificação dos sistemas de produção baseados nas pastagens é apontada por diversos especialistas como uma das alternativas de exploração sustentável, diminuindo a pressão sobre a abertura de novas áreas. A proposta de intensificação da produção animal em pastagens deverá, no entanto, ter como base sólida a eficiência. O conceito de eficiência considera o uso equilibrado dos insumos e o respeito ao meio ambiente.

Normalmente, a maioria dos pecuaristas negligencia o uso das planilhas de custo. Quando perguntados sobre quanto custa efetivamente cada kg de massa seca de forragem que está sendo consumido pelos animais ou qual a participação do item alimentação no custo do kg da carne ou leite produzidos, as respostas, quando apresentadas, são imprecisas.

Outro ponto primordial está relacionado ao monitoramento da quantidade de forragem ofertada e quanto está sendo efetivamente consumido pelos animais. Amostragens periódicas do solo e da forragem presente nos piquetes, o envio das mesmas até um laboratório para realização de análises e a consulta com um técnico habilitado são práticas que deveriam ser rotineiramente adotadas em uma propriedade que busca ser eficiente.

Planejamento e eficiência no manejo das pastagens

O planejamento da atividade pastoril destaca-se, portanto, como estratégia para garantir o equilíbrio entre produção e o consumo de forragem de qualidade, assegurando alta eficiência de utilização das pastagens e a manutenção de condições favoráveis à produtividade e ao desempenho animal.

Artigo escrito por Paulo Roberto de Lima Meirelles e Ciniro Costa, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – FMVZ, Unesp – Câmpus de Botucatu