Nos dias de hoje ainda passamos por deficiências no sistema de produção. Os artigos da série “O BIZ da Carne” mostram a alta competição do mercado, não somente na inserção do produto cárneo que tem competição direta entre as cadeias organizadas como a do boi, frango e suínos, mas também no que diz respeito ao valor por quilo ou ao abastecimento constante da demanda.

Esse patamar, que envolve valor de produto e constante abastecimento de mercado, é alcançado quando há seleção dos animais que possam se adaptar ao sistema, que sejam responsivos e que possam depender de menor influência da mão de obra.

Seu plantel é capaz de pagar o seu funcionário?

A perspectiva para a produção de animais que forneçam a proteína aos consumidores brasileiros toma um rumo significativo ano após ano com influência direta na mão de obra envolvida:

“Considerando o período desde meados de 1994 (início do Plano Real) a janeiro de 2013, o salário mínimo teve aumento de 946,5% em valores nominais. No mesmo período, a arroba do boi gordo em São Paulo subiu 317,2%” FONTE: Scot Consultoria

A pressão sobre as margens do pecuarista vem subindo e tornando por diversas vezes a pecuária um investimento pouco atrativo ao investidor:

“Em 1994, 2,6 arrobas pagavam um salário mínimo. Atualmente são necessárias 6,9 arrobas.” FONTE: Pecuaria.com.br

Essa é a pior relação do período e com tendência a aumento. Produtores, abramos nossa mente. A produtividade por área está cada vez mais seguindo para o lado do planejamento com metas e resultados efetivos. O salário sobe de valor anualmente e o mercado conta com muitas poucas opções de bons funcionários. A assiduidade e o comprometimento com os animais ainda refletem maiores problemas, vez que a fazenda não pode parar e nem o animal deixar de comer. Portanto, a condição de trabalho e funcionalidade do sistema de produção, como cercas, manejo de galpão ou qualquer ponto de estrangulamento que possa aumentar o tempo e a mão de obra necessária, devem ser revisados.

Mais do que qualquer atitude, a seleção para maior produção sem interferência humana deve ser priorizada!

O sistema de produção de bovinos em pastagem, dependendo de sua funcionalidade, pode viabilizar um funcionário para cada 1.000 animais. Ou seja, comparativamente falando, a arroba do boi gordo nesse mês de fevereiro que está cotada em R$98,00 (FONTE: Esalq/BM&F) quando trabalhada em animais com 16 arrobas versus o salário de um bom campeiro, a relação de pagamento é de que um homem custando R$1.400,00 possa dar conta de um patrimônio de R$1.568.000,00, tendo como base a multiplicação dos fatores de produção:

R$ 98,00/@ x 16@ do animal gordo x 1.000 animais/ campeiro = R$ 1.568.000,00

A ovinocultura de corte mantém uma seleção que prioriza beleza e não o que se “põe na mesa”, ou melhor dizendo no bolso, conta hoje com um funcionário para cada 200-300 animais. Dessa forma, a grande diferença na relação está no valor do animal vivo.

Ao levar em consideração um cordeiro de corte hoje com valor não muito maior que R$220,00, um funcionário de R$1.400,00 seria capaz de cuidar de um patrimônio de R$57.750,00, considerando os mesmos fatores de produção bovinos:

R$ 5,5/Kg x 35 Kg do animal gordo x 300 animais = R$ 57.750,00

É necessário ressaltar que o lucro líquido dos produtos pode sim ser comparado. A arroba do boi produzida em confinamento com o cenário de grãos que vivenciamos em 2012 chegou até R$80,00, gerando lucro líquido de R$20,00 por arroba produzida. Assim, um animal terminado com suas 17@ gerou lucro de R$340,00. Mas essa ordem segue também para o ovino que, além de contar com uma relação homem:animal mais baixa, também desfruta do mesmo tipo de alimento para engorda. Portanto, é importante ressaltar a eficiência de produção no sistema, uma vez que o trabalho de manejo, compra de insumos e giro rápido proporcionam melhores retornos financeiros.

Produtores, muita atenção no início do investimento! Amarrando a notícia da Scot Consultoria que diz que é necessário produzir 6,9@ para manter um funcionário, o valor médio do cordeiro de R$5,50/Kg vivo (FONTE: CordeiroBIZ) deve ser contemplado da mesma forma. Portanto, quando falamos em um salário mínimo de R$690,00, são necessários 126 quilos de peso vivo (PV) de cordeiro para começar a remunerar um funcionário:

R$ 690,00/R$ 5,50 Kg do cordeiro = 126 Kg/PV de cordeiros

A contratação de um bom funcionário, cotado a R$1.400,00, deve ser corrigido para R$1.680,00, contemplando INSS e fundo de garantia recolhidos pela empresa que somam 20% a mais no salário final.

O pagamento desse funcionário requer uma produção de 305,5 quilos de carne de cordeiro ou 8,73 cordeiros com 35 quilos de peso vivo por mês:

R$ 1.680,00/R$ 5,50 Kg do cordeiro = 305,5 Kg de carne de cordeiro ou, 305,5 Kg de carne de cordeiro / 35 Kg = 8,73 cordeiros

No ano, 114 cordeiros gordos destinados somente para o pagamento do funcionário, contando o seu décimo terceiro salário:

8,73 cordeiros/mês x 13 meses de remuneração do funcionário = 114 cordeiros

E então produtor? Seu plantel é capaz de manter um funcionário? Sua seleção para diminuição da mão de obra está sendo feita? A equipe CordeiroBIZ alerta para que façamos as contas. Identifiquem se o que está errado no sistema é a produção ovina, o manejo adotado ou o conceito errado de que ovinos são viáveis em pequenas áreas.

Equipe CordeiroBIZ