Autores: Rafael Fernando dos Santos | Luciano Brochine

O Brasil é apontado entre os 20 maiores produtores mundiais de ovinos, representando 1,6% de todo rebanho mundial (IBGE, 2011), e temos bastante espaço para crescer. Um dos fatores que travam a maior produção é a infertilidade das ovelhas, portanto é necessária a busca por matrizes férteis que possam produzir e pagar os custos de produção. Entende-se que as cadeias produtoras de proteína animal no país terão papel fundamental em suprir uma parcela da alimentação da população mundial nos próximos anos (MAPA, 2013). A ovinocultura pode colaborar com esse cenário, desde que os ovinocultores se profissionalizem para resolver os gargalos, como o aumento da taxa de fertilidade.

O professor Dr. Mario Arrigoni, docente na área de nutrição de ruminantes da FMVZ/Unesp/Botucatu, exalta essa falta da profissionalização na ovinocultura: “Então a crítica, eu falo, eu acho que falta capricho, qualidade, conhecimentos de nutrição, tem um monte de coisa que está faltando”. A professora Dra. Alda Monteiro, professora adjunta da Universidade Federal do Paraná, com ênfase em sistemas de criação e manejo animal, e em produção animal em pastagens, destaca a necessidade do produtor de melhorar os índices que aumentariam a rentabilidade: “O fator que mais pesa na rentabilidade, é o fato do produtor não conseguir chegar com um lote grande de cordeiros, um lote eficiente, não grande em número, mais do que nasceu entregar uma quantidade interessante, daquilo que ele investiu na matriz”.

A fertilidade é definida como a habilidade que a ovelha tem em produzir cordeiros, incluindo a capacidade em apresentar estro, ovular, possuir condições favoráveis à fecundação, gestação e lactação.

Existem diversos outros fatores que podem ser aperfeiçoados a fim de aumentar o número de cordeiros produzidos, como a redução da mortalidade e o aumento de partos gemelares. Porém, o primeiro passo é ter matrizes férteis, para que seja possível avaliar e melhorar os demais índices.

A taxa de fertilidade dar-se-á pela quantidade de ovelhas prenhas dentre aquelas que foram colocadas em cobertura. Exemplo: 100 matrizes foram colocadas em cobertura, 70 ficaram prenhas. Portanto, a taxa de fertilidade seria de 70% (matrizes colocadas em monta/matrizes prenhas x 100).

O primeiro passo para a identificação das ovelhas inférteis do rebanho é a determinação de uma estação de monta com condições justas para que todas possam produzir.

Para a seleção das ovelhas férteis é necessário estipular metas, e por meio do descarte dos animais improdutivos e reposição ao longo dos anos, melhorar gradativamente o índice de fertilidade geral do rebanho.

Abaixo, foi formulado um gráfico para exemplificar como as metas podem evoluir ao longo de 5 anos nas fazendas:

No gráfico, a meta foi evoluir a taxa de fertilidade de 70% para 90% em 5 anos, com aumento gradual anual levando em conta principalmente a seleção. Se considerar que 100 ovelhas produzirão 70 cordeiros no ano 0, o mesmo número de ovelhas selecionadas produzirá 90 cordeiros no ano 5. Tem-se a diferença de 20 cordeiros produzidos. Se considerar que os 20 cordeiros sobreviverão até o abate, o incremento de renda será de R$ 6.300,00 (peso de abate = 40 Kg; rendimento de carcaça = 45%; valor de venda = R$17,50).

Para que essas metas sejam atingidas, existem alguns procedimentos a serem adotados. Ao realizar o exame andrológico dos carneiros é possível eliminar os inférteis. Dessa forma, a avaliação das matrizes do rebanho é independente dos carneiros. Outro ponto importante é o fator nutricional, por isso devem-se manter sempre as matrizes do rebanho em condição corporal adequada para a monta (3-3,5).

Em resumo, um bom manejo, nutrição adequada e descarte das ovelhas inférteis já trarão impacto significativo logo no ano seguinte em relação ao aumento do número de cordeiros produzidos.

Melhorar taxa de fertilidade é uma das preocupações da CordeiroBIZ, que tem trabalhado junto aos produtores para evoluir esse índice. Tais produtores não têm conseguido atingir uma lucratividade satisfatória, muitas vezes pela falta de cordeiros para venda. Por isso, o controle zootécnico do rebanho faz-se tão importante.

Equipe CordeiroBIZ