Com o objetivo de motivar e trazer ao nosso público exemplos de sucesso, a equipe do CordeiroBIZ apresenta a experiência da Fazenda Caixa D’agua e os resultados alcançados após receberem uma visita especial na propriedade. Confiram!

A Nova Zelândia veio até nós!

Referência mundial na produção de ovinos, a Nova Zelândia é destino certo de inúmeras missões de produtores e técnicos na busca por aprimorar conhecimentos e conhecer experiências bem sucedidas neste setor e que possam ser aplicadas nos rebanhos brasileiros.

Nós da Fazenda Caixa Dágua, que ainda não tivemos a oportunidade de conhecer o país das ovelhas, tivemos mais sorte: a Nova Zelândia veio até nós! Isto mesmo, há um ano tivemos a honra de receber a visita de Dayanne Almeida e Robin Hilson, da One Stop Ram Shop, importante empresa da ovinocultura neozelandesa e que estavam em peregrinação pelo Brasil buscando conhecer melhor o que aqui fazíamos neste setor.

Robin Hilson, Dayanne Almeida, Marco Righi e esposa. Foto da visita realizada em março de 2011.

Robin Hilson e Dayanne Almeida com a equipe da Fazenda Caixa D’agua, Marco Righi e Denise. Foto da visita realizada em março de 2011.

Uma tarde, uma noite e um começo de manhã foram muito pouco tempo para mostrarmos o nosso sistema de criação, extensivo e totalmente em pasto, como é comum aqui no RS, mas principalmente para conhecermos melhor o que se faz por lá. Mesmo assim, estas poucas horas de convivência abriram um enorme horizonte em nosso negócio de ovinocultura. Mais do que ensinar alguma coisa, conseguimos aprender muito.

Entendemos claramente que a eficiente produção ovina da NZ é baseada simplesmente em alta seleção genética e abundante alimentação. Coisas simples, para aplicação a campo e com objetivos bem claros. Conseguimos compreender muito mais claramente o quanto é importante uma forte pressão de seleção nos rebanhos se quisermos alcançar bons índices produtivos, e que esta seleção deve ser feita em função da adaptação ao ambiente e índices produtivos, não com base em beleza, conformação ou qualquer outro critério subjetivo.

Na verdade, parece que se sabe disto a vida inteira, mas a efetiva aplicação prática na propriedade é outra história e assim os anos vão passando, os problemas produtivos vão se perpetuando e a insatisfação com os resultados é coisa certa. Mas as boas horas de caminhada, conversas, fotos e dados que trouxeram, além de alguma carne de cordeiro e vinho, literalmente “abriram-nos os olhos”.

Imediatamente após a visita, passamos, nós e nossos funcionários, a olhar de outra forma o manejo e seleção do nosso rebanho. O resultado prático foi imediato e surpreendente. Simplesmente eliminamos de nossa propriedade problemas sanitários recorrentes e todo tipo de animal problemático, independente de qualquer outra avaliação subjetiva, de onde tenham vindo ou quanto tenham custado. Em seguida, olhando para o perfil de nosso rebanho, iniciamos o descarte de matrizes e reprodutores que não representavam o objetivo de nossa criação.

O resultado disto foi o descarte de mais de 150 matrizes e todos os reprodutores no ano passado, com reposição por borregas próprias e compradas de outros rebanhos. Neste ano, acabamos de selecionar para descarte mais 90 matrizes e nosso rebanho já tem outra cara. O resultado foi imediato: os problemas crônicos desapareceram e estamos desmamando nossos cordeiros com peso em torno de 25% maior que no ano anterior. Nenhuma ovelha que não pariu, abandonou cordeiro ou não conseguiu manter-se em bom estado corporal permanece mais em nosso rebanho, e não procuramos saber muito detalhadamente o porquê, já que as outras conseguiram melhores resultados nas mesmas condições sanitárias e nutricionais.

Toda esta forte pressão de seleção foi novidade para nós, mas foi rapidamente assimilada, pois os resultados também são apresentados rapidamente. Criamos até um neologismo interno na fazenda, nos animais que não correspondem à expectativa produtiva, seja por qual motivo for, aplicamos logo a “novazelândia”, ou seja, descarte. Com isto nossa ovinocultura está muito mais organizada e rentável e fizemos isto em pouquíssimo tempo.

Ainda há muito mais por fazer, mas o caminho é o mesmo e é simples, investir em animais cada vez mais produtivos e adaptados ao nosso meio, e descartar imediatamente todos aqueles que não produzem o esperado por qualquer motivo. Aprendemos com o Robin e com a Dayanne que com animais que não representam o que queremos produzir não chegaremos nunca ao nosso objetivo. Rusticidade e produtividade é o foco que precisamos em nosso rebanho, além de nutrição adequada, o que também estamos investindo desde então.

Tudo isto conseguimos aprender com a visita deles aqui. Os detalhes serão vistos quando, quem sabe, formos visitá-los!

Autor: Marco Righi, proprietário da Fazenda Caixa D’água

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