A safra do cordeiro recém iniciada ainda exige atenção dos que terminarão seus cordeiros em confinamento mais para o final do ano. De acordo com a Scot Consultoria, já começou a ser colhida 20% da soja americana, o que influenciou diretamente na queda dos preços do grão no mercado internacional.

Aos produtores que buscaram alternativas de substituição da soja até o presente momento, existem algumas considerações que deverão ser avaliadas. O possível déficit da oleaginosa nas produções que contavam com cordeiros terminados na ração foi uma realidade pontual em 2012, na qual discutimos detalhes aqui no “Blog Ações CordeiroBIZ” para prevenir os ovinocultores.

Relação de troca para a proteína

Quem correu atrás de substitutos como alternativa para baratear o custo do confinamento, cabe dizer que os valores dos produtos de grãos proteicos aproveitaram a ascendência do valor da soja para “disfarçar” uma proteína mais barata.

Devemos entender as condições em que o ovinocultor compra os insumos para sua produção. Com a oscilação no preço das "commodities", resta ao produtor conhecer o mercado e colocar 'na ponta do lápis' os custos da substituição da proteína na dieta, que tem como base o farelo de soja.

Devemos entender as condições em que o ovinocultor compra os insumos para sua produção. Com a oscilação no preço das “commodities”, resta ao produtor conhecer o mercado e colocar ‘na ponta do lápis’ os custos da substituição da proteína na dieta, que tem como base o farelo de soja.

Em um dos confinamentos gerenciados pela equipe CordeiroBIZ, foi questionado a substituição do farelo de soja na dieta, onde realizamos um levantamento de valores proteicos para essa troca.

No final de agosto, segundo levantamento da Scot Consultoria, em São Paulo, a tonelada do farelo de algodão, com 28% de proteína bruta, estava cotada em R$711,00 (preço médio da tonelada). Na mesma época, o farelo de soja custava R$1.380,00 por tonelada.

A relação de troca entre os produtos deveria ser de R$1.142,68 a tonelada da soja para que compensasse a substituição dos produtos.

Quando trabalhamos o conceito da relação de troca entre os grãos, o valor nutricional de um produto deve ser substituído 100% no que diz respeito ao valor proteico ou ao valor energético. Dessa forma, considerando que as oportunidades de mercado eram farelo de soja e farelo de algodão, sendo 45% e 28% de proteína bruta, respectivamente, temos a conversão dos valores quando substituímos um pelo outro. Vejam:

  • Farelo de Algodão 28% PB — R$711,00/ton
  • Farelo de Soja 45% PB — X
  • X= R$1.142,68

Com o valor abaixo de R$1.142,68, a soja se viabiliza para ser utilizada nas batidas. Lembrando que não está sendo considerado o valor metabolizável de cada proteína.

É de suma importância entender que os valores de mercado são posicionados aos clientes por valores em toneladas de cargas fechadas, ou aproximadamente 15 mil quilos de cada produto.

A compra de insumos no balcão

A criação de ovinos não consome produtos que sejam vendidos em cargas fechadas, onde permanece refém do valor de revendas de insumos. Essas revendas podem agregar de 17-40% no valor anunciado pelo mercado. É uma margem comum aos comerciantes e cooperativas.

Ao cotarmos a situação dos grãos com revendedores, encontramos o mesmo farelo de algodão 28% no valor de R$1.100,00 contra R$1.600,00 da soja. Considerando o farelo de algodão nesse preço, com o mesmo raciocínio acima, a soja deveria estar em um patamar de R$1.767,86 para que houvesse a substituição. Dessa forma, tornou-se inviável o farelo de algodão 28% na ração, pois apesar do valor da tonelada estar mais baixo, a substituição para que houvesse o mesmo nível nutricional encareceria a dieta.

Com relação ao milho, temos um indicativo para os produtores de ovinos que a tendência é de alta. Segue a notícia:

“Com o objetivo de garantir o abastecimento de milho nas regiões Nordeste e Sul até o fim do ano, o governo vai lançar contratos de opção de venda para adquirir 150 mil toneladas do cereal (…) O preço pago pelo cereal deve ficar acima do valor de mercado porque quem adquirir as opções de venda terá que entregá-lo em armazéns definidos pelo governo nas duas regiões que sofreram com a seca prolongada este ano. (…) No destino, o milho tem sido vendido na modalidade venda em balcão, que beneficia pequenos criadores com preços subsidiados (…) Metade do produto, ou 75 mil toneladas, deve ser transportada do Paraná aos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. O restante, de Mato Grosso aos estados do Nordeste do país.” (FONTE: Ruralbr)

Aos produtores da região sul (PR, RS e SC) onde se concentram as maiores criações de suínos e aves, a tendência de alta já é dada como certa.

Com a ação de tradings exportando o produto brasileiro, a carência nas regiões deve ser suprida e contará com ofertas mais caras. Principalmente para atender os pequenos produtores que fazem suas compras em revendas.

Atento ao mercado, o produtor que se programa entendeu que o barato sai caro.

Lembramos que para animais confinados, e que deverão ser abatidos com 100-120 dias de vida, cada dia em confinamento deve ser avaliado. Temos que considerar os custos de produção! Quando trabalhamos os lucros, devemos conhecer as ferramentas de mercado a fundo.

Esse ano o custo médio da diária nos confinamentos foi de R$1,55 até o final de setembro. Com o arrefecimento no preço da soja, e o valor do milho que deverá subir, continuamos na “corda bamba” do mercado das commodities em 2012.

Continuaremos acompanhando os acontecimentos nesse cenário!

Equipe CordeiroBIZ