A utilização de silagem como volumoso é uma estratégia para contornar a estacionalidade de produção de forragens sendo as plantas de milho e sorgo as mais indicadas para ensilagem, pois preenchem os requisitos fundamentais de uma planta para ensilagem e permitem que todo o processo seja executado mecanicamente.

Todo o processo deve ser bem feito, pois a silagem é de alto custo. Assim, ainda mais, o processo deve ser bem conduzido minimizando perdas em todas as etapas, principalmente no momento da retirada do silo e fornecimento aos animais. Esta etapa deve ser bem conduzida e somada ao correto dimensionamento do silo.

Quando o silo é aberto, o ambiente anaeróbio responsável pela conservação da silagem passa a ser aeróbio (em contato com o oxigênio do ar). Nessas condições, os microrganismos multiplicam-se rapidamente dando início ao processo de deterioração da silagem. Esse fenômeno manifesta-se por meio da elevação acentuada de temperatura e do aparecimento de fungos. Para que este processo seja minimizado, depois de aberto o silo e iniciado a retirada da silagem, este processo não pode ser interrompido.

O método mais efetivo de diminuir as perdas é a remoção e fornecimento imediato da silagem aos animais, com a retirada de camadas paralelas de toda a superfície frontal do silo (painel), nunca inferior a 20 cm por dia. A remoção da silagem deve ser realizada sem promover perturbações na massa remanescente. O uso de trator com pá carregadeira frontal deve ser evitado. A retirada da silagem deve ser efetuada manualmente ou com máquinas específicas, e em seguida fornecida aos animais.

A retirada e distribuição lenta diminui a vida útil da silagem no cocho, que se manifesta com a elevação da temperatura. Assim, as sobras de silagem no cacho ou que sobraram na carreta após o fornecimento aos animais devem ser eliminadas. Portanto, deve-se retirar do silo apenas o que será fornecido logo em seguida e de uma só vez aos animais, sem deixar sobras.

Para que este processo de retirada mínima seja efetivo, deve-se efetuar correto dimensionamento do silo. Com isso, não sobrará material no painel frontal do silo, considerando uma fatia mínima de 20 cm, favorecendo o aparecimento de fungos e consequentemente perda da silagem. Ressalta-se que a partir do correto dimensionamento, objetiva-se que todo material mínimo deve ser retirado dimensionando-se de forma correta o silo para que não sobre silagem. O fato de faltar silo, em relação a esta fatia, o problema é resolvido retirando-se mais fatias. O contrário, não pode ser feito deixando material desta fatia mínima no silo.

O dimensionamento do silo

No dimensionamento do silo, em primeiro lugar deve-se levar em consideração o volume diário de silagem a ser consumida (VDS), a fim de estabelecer uma fatia mínima de retirada diária de 20 cm de toda a superfície frontal do silo (SF), evitando-se perdas. Para isso, considere a densidade de 550 a 650 kg/m3 de silagem (planta inteira).

O consumo de silagem pelo ovino por dia está na dependência da raça, categoria, nível de produção, relação volumoso:concentrado, etc. O cálculo preciso deve ser feito com base no consumo de matéria seca. Deve ser levado em conta um acréscimo de 10 a 15% no volume total planejado para minimizar a falta e as perdas naturais. Assim temos:

1. VDS = (Número de animais X consumo/animal/dia) + 10% de perdas

2. VDS / 600 (550 a 650 kg/m3 ) = SF X 0,20 m de comprimento.

3. SF = (B + b) / 2 vezes a altura (fórmula da área frontal do silo que dependerá do seu formato) B = base maior e b = base menor

Como premissas a largura inferior de um silo trincheira deverá ser no mínimo o dobro da largura externa do rodado do trator que irá compactar o silo. As paredes devem ter de 15 a 25% de inclinação para a melhor compactação através do chamado efeito de cunha. Acima de 3 m de largura inferior, considerar 15% de inclinação. Feito este processo, calcula-se o quanto se tem de material na fatia mínima diária, calculando-se a área frontal vezes 20 cm ou 0,2 metros, obtendo-se o volume. Por regra de três, considerando densidade média de 600 kg/m3 temos o quanto de silagem teremos nos 20 cm mínimos diários.

Fazenda Viva

As quantidades retiradas devem ser menores ou iguais a consumida para não sobrar material ou ainda, sobrar no painel frontal do silo, material sem que seja removida a camada diária. Assim, não ocorrerão perdas como ocorridas na Foto 1 (Fazenda Viva CordeiroBIZ – agosto de 2012), diferentemente do presenciado na Foto 2, considerado como ideal.

Comparação entre uma silagem deteriorada e uma silagem de qualidade.

É comum observarmos nas propriedades este fato, uma vez que o dimensionamento não é efetuado pelos produtores. Neste caso da foto, grande parte do material foi perdido em função deste dimensionamento. Ainda, neste ponto, deveria ter sido efetuado o dimensionamento, diminuindo-se a altura deste silo, ou ainda alterando-se a largura, uma vez que o silo da foto é de superfície e a largura do trator neste cão (por não ser de trincheira) não seria fator importante, considerando silos de baixa altura, de até 1 metro.

O comprimento do silo, por sua vez está na dependência da capacidade de enchimento do silo e ainda, disponibilidade de retirada. Portanto, devem-se construir vários silos pequenos ao invés de um silo muito grande. Ter vários silos pequenos de por volta 15 a 20 metros, permite a possibilidade de que em função da perda, morte ou venda dos animais, o material não utilizado seja guardado para ser fornecido posteriormente. Cabe lembrar que silo aberto é silo “consumido”, sem interrupção.

Toda silagem, em função do seu alto custo, deve ser bem feita. Trata-se de um processo relativamente fácil, mas requer atenção. Assim, todo e qualquer sistema que se utilize da mesma, possa ter sucesso e concluindo, ser EFICIENTE.

Autor: Marco Aurélio Factori, Pós-Doutorando em Zootecnia – DMNA/FMVZ/UNESP/Botucatu-SP