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“O BIZ da carne”: a competitividade da carne ovina e o ‘efeito da substituição’

Desde a semana passada que o CordeiroBIZ aborda a situação da cadeia de carnes em 2012, que diga-se de passagem, está uma loucura!

Debatemos competitividade da cadeia dos bovinos, suínos, aves e ovinos. Sem falar que não consideramos o pescado, que de forma bem menos expressiva também pode ser considerado um possível competidor.

É um tanto quanto complexo imaginarmos que competimos com todas essas outras proteínas animais, mas é a mais pura verdade. Isso tem que ser encarado como uma coisa boa, pois dá dinâmica ao mercado e nos exige trabalhar com eficiência.

Existe uma lei da física conhecida como “Lei de Newton” que exemplifica bem o que ocorre com o produtor de ovinos, vamos a ela: “Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço”. Ou seja, para atender o mesmo consumidor, um dos produtos deverá ser descartado e não somado ao dia a dia. Esse é o famoso efeito da substituição. Para qual carne o cordeiro “perde” mercado?

O espaço no mercado das carnes está apertado no pasto e no prato do consumidor. Para quem carne o cordeiro "perde" mercado?
O espaço no mercado das carnes está apertado no pasto e no prato do consumidor. Para quem carne o cordeiro “perde” mercado?

Existem duas frentes para a escolha final: a primeira é PREÇO a segunda FORNECIMENTO. Em nenhuma das duas frentes o ovino se destaca…

PREÇO

O ovino apresenta preços que variam de 6 a 4,50 reais o quilograma do animal vivo pago ao produtor, enquanto nas outras cadeias encontramos a seguinte situação:

  • Bovino – R$ 3,07/Kg
  • Suíno – R$ 3,19/Kg
  • Aves – R$ 2,40/Kg

Fonte: Indicador Esalq/BM&F do dia, podendo haver variações durante o ano.

FORNECIMENTO

Com relação ao fornecimento, as complicações são maiores.

As escalas de abates de ovinos que temos condições de acompanhar estão diretamente ligadas à disponibilidade de animais prontos. Entretanto ainda há um fator muito importante que deve ser levado em conta: o abate clandestino. Infelizmente, esse aspecto na cadeia ovina ainda é muito informal e pode-se dizer que cerca de 90% dos abates são feitos clandestinamente, sem atender nenhum padrão sanitário exigido pela inspeção federal, estadual ou municipal.

Dessa forma, do lado da oferta, fica complicado mapear o que realmente está sendo abatido de ovinos e isso tem influência direta nos preços e estoque de carne. Fica difícil achar a relação oferta versus demanda quando uma das pontas, neste caso a oferta, ainda é bastante nebulosa.

A irregularidade das escalas de abate mostra também que a desorganização da cadeia é uma resposta à baixa competitividade da carne no mercado interno, pois ainda se encontra “preenchendo um buraco” frente a comercialização de outros produtos cárneos.

Neste ponto, ainda devemos considerar que hoje a quantidade de animais produzidos é insuficiente para atender a demanda crescente de consumo. A carne de cordeiro no Brasil realmente pode estar perdendo para alguma outra concorrente, já que a frequência de abastecimento de carne oriunda de outras cadeias ganha da nossa de lavada!

Este mês por exemplo, como foi dito em outros artigos, estamos com o boi reagindo de preço, porém, as carnes de frango e suínos com valores mais altos nas prateleiras em função da alta do milho e da soja. Vejam:

“Os preços dos cortes de carnes bovinas, que detém a preferência pelo paladar do brasileiro, ficaram até 20,64% mais baratos no intervalo de um mês — 27 de julho a 27 de agosto. Já outros cortes, como o de suíno e de aves, apresentaram elevação de até 19,97%.

Segundo especialistas do mercado agropecuário e avícola, esse comportamento está ligado ao aumento do preço da soja e do milho, insumos básicos da ração de suínos e aves. Como esses animais têm ciclo curto de maturação (cerca de 40 dias para o caso do abate de frangos e 6 meses de leitões), refletem mais rapidamente os aumentos.

Apesar dos bovinos também se alimentarem com ração dos mesmos insumos, o tempo de abate é maior, mínimo de 24 meses para abate precoce de novilhos (boi novo) e além disso, a ração não é a única fonte alimentar dos animais.

Outro ponto a ser considerado é a preferência do brasileiro pela carne bovina que migra para as outras carnes quando há uma elevação dos preços.

Com o quilo do frango em R$ 8,47 (pedaço da asa) muitas donas de casa dão preferência para a paleta, por exemplo, vendida a R$ 9,11, o quilo.” (Fonte: Bem Paraná)

Portanto, o frango, que tem preço baixo no mercado perde espaço nas prateleiras para o boi quando se aproxima no valor comercializado. Isso porque a carne bovina mesmo estando um pouco mais cara, é preferência nacional!

Dessa forma, o fornecimento contínuo de carne ovina para o mercado brasileiro poderia gerar alguma “cócega” para as carnes preferenciais do mercado, posto que também compartilha apelos de saúde similares aos da carne de ave.

Essa avaliação de mercado caminha no mesmo passo do crescimento irregular da produção ovina, uma vez que nem mesmo o marketing é trabalhado a seu favor. Não haveria competição quanto ao seu valor nutricional e muito menos quanto ao seu custo.

A “briga” é complicada, mas não deixa de ser saudável! O fato é que uma cadeia desorganizada produz abates desorganizados, baixa competição e pouca comercialização.

Equipe CordeiroBIZ

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