Mais um ciclo se finaliza e já há a necessidade de se pensar no próximo. O fato é: para o sucesso da produção, o ovinocultor precisa de um planejamento antecipado em pelo menos 10 meses! Neste artigo focaremos os períodos pós-desmame e pré-monta com o levantamento de algumas considerações rumo ao planejamento da produção com base no acompanhamento nutricional do rebanho.

A eficiência produtiva da ovelha é o reflexo do planejamento nutricional  em seu rebanho

Além de o desmame/recria ser o momento para reflexão sobre o sucesso ou falha do ciclo de produção de cordeiros é, também, a hora de começar a preparação para a próxima temporada.

O peso da ovelha ao desmame tem mostrado estar relacionado com o número de cordeiros que nascerão na estação seguinte e com o peso ao desmame destes. Além disso, o peso da cordeira no final da recria influenciará no desempenho desta quando borrega se selecionada para reposição, como também no nível nutricional requerido pelo animal para que atinja máximo potencial de produção quando adulto.

O escore de condição corporal (ECC) deve ser feito nas matrizes no momento do desmame. Já é comprovado cientificamente e estabelecido que a condição corporal da ovelha está positivamente relacionada ao desempenho reprodutivo do animal no ciclo seguinte.

Com base nessas informações, dois outros pontos precisam ser levados em consideração:

  • A relação não é linear, ela é curvilínea, com uma maior resposta adquirida para o desempenho reprodutivo quando se eleva a condição corporal da matriz de 1,5 a 2,0 do que quando se eleva de 3,5 a 4,0. Isto significa que frente a uma situação de menor oferta de alimento de qualidade, a decisão técnica que trará melhores benefícios de uma maneira geral será o direcionamento do alimento reserva ou suplementação para os animais que apresentarão melhor resposta no que diz respeito ao desempenho do rebanho que, no caso, são as matrizes com pior escore de condição corporal.
  • Há evidências de que o máximo desempenho reprodutivo de uma ovelha aconteça quando o ECC desta se encontre em uma faixa entre 3,0-3,5. Ou seja, não há benefícios economicamente viáveis muito menos estrategicamente técnicos na elevação da condição corporal ou no peso vivo de um animal que já se encontra na faixa ideal de ECC.

Assim, a realização da avaliação do escore de condição corporal de todas as ovelhas logo ao desmame permite ao produtor:

1 – identificar precocemente as ovelhas que melhor se beneficiarão de qualquer alimentação adicional ou suplementação durante o período que antecede a estação de monta,

2 – economizar na oferta de alimento a fim de que se mantenham o nível nutricional e condição corporal das matrizes que já se encontram em escore desejado.

Avaliação de escore corporal pré-monta das matrizes da Fazenda Viva Grama, realizada dia 9 de fevereiro de 2013

Avaliação de escore corporal pré-monta das matrizes da Fazenda Viva Grama, realizada dia 9 de fevereiro de 2013. Todas as ovelhas foram pontuadas e selecionadas de acordo com a condição corporal. Dentro do planejamento para esse ano, as ovelhas com ECC abaixo de 2,75 não participarão da estação de monta programada para final de fevereiro e serão preparados para a monta do segundo semestre.

Na maioria das raças para se aumentar uma unidade inteira no ECC da ovelha há requerimento de aumento entre 7 a 9 kg no peso vivo, o que torna o processo todo de recuperação da condição corporal trabalhoso e demorado. Desta forma, quanto mais cedo o produtor puder identificar as ovelhas com menor ECC, maior e mais rápida será a resposta no desempenho produtivo do rebanho para a próxima estação.

O peso vivo da matriz na monta não está somente relacionado positivamente com o desempenho reprodutivo desta como também afeta a capacidade do animal em lidar com as práticas de manejo em que está inserido de modo a produzir um bom resultado no rebanho, principalmente durante a gravidez e lactação. Da mesma forma, vale ressaltar que o peso vivo da borrega em sua primeira estação de monta continuará influenciando no desempenho produtivo do animal por toda a sua vida útil!

A dinâmica da condição corporal, a qual reflete claramente o nível nutricional do animal, é premissa básica para os índices produtivos do rebanho. No entanto, produtividade não é o mesmo que aumento da produção. Na verdade, trata-se de aumentar a eficiência de produção, afinal o que é melhor? Aumentar o valor investido para obter melhores resultados ou obter melhores resultados sem que haja a necessidade de aumentar o valor investido?

O direcionamento nutricional das categorias de animais na propriedade ao se definir metas, planejamento e monitoramento da adequação do plano alimentar bem como o descarte de animais improdutivos são exemplos de maneiras para se melhorar a eficiência produtiva do rebanho sem que haja aumento superior no investimento.

Produtor, atente para a condição nutricional do seu rebanho uma vez que ela diz muito sobre a efetividade de suas práticas de manejo na propriedade.
Equipe CordeiroBIZ