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O papel diferenciado do ‘terminador’ na cadeia produtiva ovina brasileira

Com o passar dos anos, é natural o amadurecimento da cadeia ovina no que tange a sua organização para entregar o melhor produto para o mercado consumidor. Desde o aquecimento do setor com a entrada de investidores na atividade, os elos de atuação (produtor-frigorífico-distribuidor) foram pressionados a se estruturar para atender a demanda vigente. Durante esse processo sentiu-se a necessidade de dinamizar o escoamento da produção, no qual o terminador assume hoje um papel fundamental para os produtores e frigoríficos.

O processo de produção (cria e recria – desmame) e terminação (engorda) dos animais, seguido da entrega para o frigorífico e distribuição dos cortes ao consumidor é claro para todos. Porém, é fato que esbarramos em diversos entraves.

O papel diferenciado do ‘terminador’ na cadeia produtiva ovina brasileira
O papel diferenciado do ‘terminador’ na cadeia produtiva ovina brasileira. Produtor, a equipe do CordeiroBIZ destaca como ponto mais importante da produção o cordeiro bem desmamado. Busque seus resultados!

O primeiro deles se encontra ‘dentro da porteira’. A ausência do planejamento da monta resulta em uma produção dispersa de animais ao longo do ano, o que dificulta a formação de lotes homogêneos, assim como a mão-de-obra. Quando falamos em rebanhos menores, temos um número baixo de animais produzidos, dificultando a conta do insumo a ser comprado, pois esses devem ser comprados em valor de balcão (leia mais aqui). A consequência desse tipo de produto são animais caros ao sistema e com valores líquidos menores ou negativos, causando oneração do custo final da produção.

Na outra ponta da cadeia, as indústrias frigoríficas estão com dificuldade para encontrar volume constante e qualidade nos ovinos terminados. A concentração na oferta de animais durante a safra ovina (outubro a dezembro) sobrecarrega os abatedouros e torna irregular a produção durante o ano. Consequentemente, o setor fica ocioso durante os meses de maio, junho e julho, quando a safra de cordeiros vinda do sul do Brasil se encerra.

Considerando o cenário descrito acima, qual seria então o papel fundamental do terminador?

O terminador é capaz de absorver cordeiros o ano todo e em diferentes volumes de oferta. Ele passa a ter um papel fundamental quando o produtor precisa desovar a produção, principalmente quando os cordeiros são terminados durante a safra, quando a agenda de abate está lotada. Isso acontece devido aos frigoríficos possuírem parcerias com grandes produtores e terminadores que oferecem volume, qualidade e constância na entrega de animais terminados. Traduzindo, o terminador hoje dá a segurança que o frigorífico procurava.

Na outra ponta, a atuação do terminador dentro da cadeia possibilita aos produtores a opção de negociar a venda do lote de desmame, tanto quanto a venda de animais terminados. O terminador seria então um facilitador do sistema, propiciando ao produtor de cordeiros um direcionamento mais focado na produção efetiva em volume de animais. Dessa forma, a terminação e seus custos são transferidos para “fora da porteira”.

A economia no sistema de produção pode ser facilmente comparada quando atentamos que de 100% do custo do cordeiro, temos 25-30% sendo destinados à alimentação de animais confinados. (Fonte: CordeiroBIZ)

O valor remunerado ao produtor torna-se atrativo quando comparamos a remuneração final de um lote gordo à venda aos animais desmamados ou em fase final de terminação. Quando bem trabalhadas, são todas alternativas para maior lucro líquido do produto em diferentes situações.

Produtores, vamos comparar como seriam as duas negociações de um mesmo lote por meio de uma linha de raciocínio desenvolvida pelos exemplos abaixo:

  • Produtor Rural 01
  • Rebanho: 100 ovelhas produtivas
  • Cordeiros desmamados: 80 animais
  • Média de peso ao desmame com 60 dias: 18 kg
  • Custo médio diário da dieta no confinamento: R$ 1,00
  • Dias em confinamento para terminar um cordeiro com 35 kg: 57 dias (ganho de 300g/dia)
  • Valor do quilo do cordeiro desmamado ou terminado: R$5,60

Venda do lote na desmama:

80 animais * 18 kg * R$ 5,60 = R$ 8.064,00

Custo do produtor 01 para terminar o lote na propriedade:

80 animais * 57 dias * R$ 1,00 = R$ 4.560,00

Venda do lote terminado na propriedade:

80 animais * 35 kg * R$ 5,60 = R$ 15.680,00

R$ 15.680,00 – R$ 4.560,00 = R$ 11.120,00

No exemplo acima, o ganho do produtor ao decidir confinar o lote de cordeiros alcançou um rendimento de R$3.056,00 comparado com a comercialização do mesmo lote logo após a desmama para um terminador.

O terminador de cordeiros consegue trabalhar melhores custos das dietas de confinamento por meio do poder de barganha na compra dos insumos. O resultado disso é a margem líquida mais atraente na venda para o abate.

A equipe do CordeiroBIZ destaca como ponto mais importante da produção o cordeiro bem desmamado. Com pesos acima dos 23 quilos, o animal mantém o potencial de ganho durante o confinamento (média de ganho de 400g/dia). Isso significa que uma boa desmama reflete em um menor custo para a terminação dos animais.

  • Produtor Rural 02
  • Rebanho: 100 ovelhas produtivas
  • Cordeiros desmamados: 80 animais
  • Média de peso ao desmame com 60 dias: 23 kg
  • Custo médio diário da dieta no confinamento: R$ 1,00
  • Dias em confinamento para terminar um cordeiro com 35 kg: 30 dias (ganho de 400g/dia).
  • Valor do quilo do cordeiro desmamado ou terminado: R$5,60

Venda do lote na desmama:

80 animais * 23 kg * R$ 5,60 = R$ 10.304,00

Custo do produtor 02 para terminar o lote na propriedade e remuneração pela venda do lote de cordeiros terminados:

80 animais * 30 dias * R$ 1,00 = R$ 2.400,00

80 animais * 35 kg * R$ 5,60 = R$ 15.680,00

Subtraindo o custo de terminação no confinamento do valor total da venda do lote de cordeiros gordos chega-se na remuneração final do lote:

R$ 15.680,00 – R$ 2.400,00 = R$ 13.280,00

No comparativo com a venda do lote na desmama, temos o seguinte ganho:

R$ 13.280,00 – R$ 10.304,00= R$ 2.976,00

Nossa planilha então, se resume da seguinte forma:

Comparativo na venda do lote de cordeiros no  desmame e terminados em confinamento

O confinamento mais leve garante um lucro líquido muito semelhante ao do confinamento mais pesado, pois o lucro final é igual para os dois. A diferença está na desmama mais pesada e no consumo total da desmama mais leve em confinamento, que gera até 90% a mais em investimento com alimentação. O fato é que uma desmama bem feita pode gerar ganhos muito semelhantes ao confinamento de uma desmama mais leve.

Cabe então ao produtor decidir se o sistema não contará com problemas de mão-de-obra, que possam atrasar o ganho de peso diário, com mortalidades altas no confinamento, falta de planejamento na compra de insumos, comprometendo o ganho de peso no sistema como um todo, dentre outros. As contas são uma particularidade de cada fazenda e muitas vezes o lucro de R$3.000,00 pode ser diluído por falhas do sistema.

Dessa forma, o papel do “terminador” vem sem dúvida agregar na cadeia.

O foco na produção de cordeiros para desmame pode ser ainda mais rentável quando falamos em partos gemelares e pesos a desmama maiores do que 23 quilos.

Pense produtor, em sua propriedade o foco está sendo bem direcionado para todas as categorias animais?

Equipe CordeiroBIZ

10 comentários em “O papel diferenciado do ‘terminador’ na cadeia produtiva ovina brasileira”

  1. Acho interessante considerarmos também que no desmame mais pesado (23kg) o tempo de confinamento é praticamente a metade do tempo que os animais mais leves (18kg) levarão para serem terminados. Ou seja, teremos dois lotes que entram mais pesados contra um que entra mais leve no confinamento. Na hipótese levantada, isso resultará num lucro de R$5800,00 com os animais mais pesados contra os mesmos R$3000,00 dos animais mais leves durante o mesmo período de 60 dias.

  2. PARABÉNS PELO ARTIGO PUBLICADO. FOI UM DOS MAIS COMPLETOS E CLAROS QUE JÁ VI. VEIO EM UM MOMENTO MUITO PRECISO PARA MIM. SÓ GOSTARIA DE SABER SE TEM UMA RAÇA ESPECÍFICA QUE PODEMOS TER ESTES MESMOS RESULTADOS. ATT: ASSIS.

  3. Olá Cristina! Não defendemos raças, e sim um acompanhamento de desempenho zootécnico dos animais. Dessa forma, o rebanho será selecionado por meio de critérios, como taxa de crescimento e peso a desmama de cordeiros. Nessa linha de raciocínio, as raças testadas que se destacam para cruzamentos com foco em produção de carne são animais da raça Texel, Suffolk e Dorper.
    Agradeço o contato e me coloco a disposição para aprofundar o tema. Abraços

  4. Rafael, tudo bem?? Obrigado pela participação e importante observação levantada. Vale ressaltar que quanto menor o tempo em confinamento para terminar os cordeiros, menor o custo final, ou seja, maior lucro líquido. Trabalhar melhor peso a desmama remunera o produtor em vários aspectos. Até mais. Abraço!

  5. Assis, tudo bem? Muito bom poder ajudá-lo. Esse é o nosso objetivo! Conte conosco.
    Como respondido aqui nos comentários, os resultados serão buscados por meio do acompanhamento dos índices zootécnicos do seu rebanho. Dessa forma, faz-se necessário um sistema de produção organizado e focado dentro da propriedade. Assim, será possível escolher animais com desempenho comprovado para o foco da sua produção, no caso em questão, melhorar os seus resultados de peso a desmama e taxa de crescimento de cordeiros destinados ao abate.
    Forte abraço.

  6. Gostei da publicação. Muitos dados interessantes. Algumas dúvidas ainda persistem. Acho que o preço do cordeiro desmamado aos 60 dias com 18 kg deveria ser no mínimo de 12,00/kg. Nestes 18 kg existe a incorporação de todos os custos de produção, incluindo a questão dos riscos, que são reais e devem serem remunerados. Com estes valores do exemplo eu “duvido” que se consiga o fornecimento de cordeiros (desmamados aos 60 dias) com regularidade!

  7. Olá Flavio!! A venda do lote de desmama é uma opção para o produtor buscar melhor lucro líquido do produto. O terminador está no mercado pronto para comprar os cordeiros disponíveis durante o ano todo. Tanto o controle dos riscos, como a busca por melhores índices zootécnicos do rebanho são esforços do produtor frente ao empreendimento. O preço da venda da desmama é o praticado no mercado, que é o mesmo valor pago ao quilo vivo do cordeiro vendido para o abate. É o que seria justo para a cadeia como um todo para balizar as negociações de compra e venda vez que os riscos do produtor contrapõem o custo do confinamento (25% a 30% do custo total do cordeiro). Uma vez o produtor organizado produzindo melhor, todos os elos se beneficiam.
    Obrigado por participar. Espero ter ajudado. Até mais!

  8. Prezado, boa noite.
    Excelente artigo.
    Gostaria apenas de enriquecer seus dados.
    Pelas suas contas, estamos matando machos e femeas, certo? Só que o mercado de femeas atualmente está bem aquecido, sendo que os produtores não estam fazendo força para vender!!! Existe uma enorme procura por femeas 1/2 sangue Dorper em meu estado.
    Outro ponto que eu gostaria de destacar é: o rendimento de carcaça – este sim é uma ferramenta que o produtor brasieliro precisa trabalhar e começar a vender seus animais no peso morto, pois se estamos trabalhando com genética superior, o beneficio final sempre será melhor.
    Realizo alguns confinamentos anualmente e pode perceber que se vendermos animais de 35kg temos um rendimento de carcaça insatisfatorio, agora se trabalharmos com uma desmama mais tardia, animais em torno de 25kg e conseguirmos incrementar algo em torno de 20 kg /animal/confinamento (60 dias) GMD=350 grs/animal, resultando em animais de 45 kg com um rendimento de carcaça minima de 50% a um preço de R$ 13,50 kg/morto, certamente teremos um resultado liquido maior.
    Outro ponto que gostaria de destacar é o preço da dieta do confinamento, este processo se torna viável desde que você não ultrapasse os R$ 0,70/kg alimento e sempre pensando no rendimento dos aniamais.
    Espero ter contribuido com o autor e principalmente com os leitores.
    Mais uma vez, parabéns pelo artigo e fico satisfeito que a cadeia produtiva da ovinocultura está se voltando para a produção de carne e não só genética.
    Atenciosamete,
    Bruno de Barros

  9. Caros,
    Mesmo com a defasagem do tempo, considero oportuno parabenizá-los. Excelente artigo!
    Tenho trabalhado neste mesmo rumo e muito satisfeito com a produção/terminação de cordeiros.
    Minha opção foi utilizar sempre machos HAMPSHIRE DOWN sobre fêmeas já meio sangue ou de base Ile de France, Texel ou Corriedale (mais comuns em minha região), com isso tenho obtido cordeiros com muito bom desenvolvimento e que tem se mostrado muito bons na terminação. O fato de utilizar carneiros/pais Hampshire tem permitido a produção de cordeiros pesados e com qualidade de carne elogiada pelos meus clientes. Justamente por ter muito lido e estudado a respeito das qualidades da carne Hampshire optei por fazer o acasalmento com machos desta raça, isto gera concordância total com o que CORDEIRO BIZ vem apregoando em termos de qualidade de carne e carcaça! Parabéns pelo trabalho! Vocês estão fazendo uma grande diferença! Sílvio.

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