São realmente muito desmotivadores os destaques nos portais informativos sobre ‘ações de sucesso’ na ovinocultura no nosso país: produtores sendo parabenizados pela aquisição de animais superestimados economicamente. Mais preocupante ainda é o fato de os promotores destacarem esses mesmos eventos como exemplos de sucesso para a produção ovina no Brasil por ‘revelar futuras campeãs de pista’ e ‘permitir o acesso democrático a uma genética de ponta’.

Para que haja inversão de valores dentro da cadeia da ovinocultura de corte brasileira é necessário antes que haja conscientização do produtor para o fato de que o ovino nada mais é que um ‘empregado’ da fazenda. Em outras palavras: para valer o que ele come, ele tem que produzir. O mundo das ‘pistas’ não representa a realidade de um sistema de produção e está repleto de falhas para o que diz respeito à ‘revelação’ de animais geneticamente melhoradores.

OFICINA PRÁTICA: eficiência produtiva impulsionado pelos serviços de análise de desempenho zootécnico dos animais. SIL – Sheep Improvement Limited (Melhoramento Ovino Ltda)

OFICINA PRÁTICA: eficiência produtiva impulsionado pelos serviços de análise de desempenho zootécnico dos animais. SIL – Sheep Improvement Limited (Melhoramento Ovino Ltda)

É partindo dessa premissa que a CordeiroBIZ em parceria com a Cabanha Mantovinos estabeleceu uma relação íntima entre seleção genética e produtividade (aumento na eficiência de produção).

Em países como a Nova Zelândia, cuja ovinocultura transborda experiência e alta produtividade, é sabido que é dever das ‘fazendas de elite’ a produção de um animal geneticamente superior por meio de técnicas de melhoramento. Da mesma forma, é dever do produtor de cordeiros o acompanhamento do desempenho produtivo dos animais da fazenda para que se definam tanto o objetivo quanto as metas para o giro do negócio. É muito comum o desconhecimento quase que total do potencial produtivo do rebanho fato que torna prática corriqueira a mudança constante na escolha da ‘cabanha’ ou da raça utilizada quando as contas não fecham no fim da estação.

O ‘rastreamento genético’ da performance zootécnica do rebanho é ingrediente-chave em qualquer sistema de produção animal uma vez que permite a seleção de indíviduos que atinjam aos objetivos pré-determinados do sistema. Apesar de as raças possuírem características genéticas intrínsecas, a variação individual dentro de um mesmo grupo é alta e a influência desta é diretamente proporcional na padronização do desempenho produtivo do rebanho.

A Equipe CordeiroBIZ demonstrou no artigo “O que você procura como produtor” que 80% do progresso genético é atribuído na escolha do reprodutor. Dessa forma, a utilização mais eficiente dos reprodutores na propriedade é uma das maneiras mais simples e rápidas de melhorar a produtividade. No entanto, torna-se crucial que haja uma forte pressão de seleção vinda do rebanho de onde o carneiro for oriundo. Por ser um objetivo em longo prazo, o melhoramento genético requer comprometimento e foco. É preciso, então, que haja uma forte sintonia entre o produtor de cordeiros e o produtor de genética.

A Nova Zelândia está a frente, não só pelo sistema como um todo, mas pela conscientização de cada elo da cadeia sobre o conceito de PRODUTIVIDADE dentro da propriedade. Para isso o país conta com a ajuda da S.I.L. – Sheep Improvement Limited (Melhoramento Ovino Ltda), fundada pela organização Beef+Lamb New Zealand para avaliação genética ovina na Nova Zelândia. Ela é, também, financiada pelos produtores e pelos serviços prestados às propriedades. A esmagadora maioria dos ovinocultores neozelandeses faz uso do sistema da SIL para calcular o desempenho produtivo dos animais e realizar a avaliação do ganho genético alcançado pela propriedade ao longo do processo de seleção.

Ferramentas simples e diretamente focadas para a realidade da propriedade são utilizadas em países como a Nova Zelândia e podem nos ajudar a pular fases de ‘tentativa-erro’, tornando assim o cordeiro brasileiro mais competitivo. É necessário traçar o caminho a se seguir para iniciar um ‘plano genético’ na propriedade o qual vise melhores retornos e, consequentemente, sucesso à produção.

Visitar ou ler sobre a ovinocultura em países ‘de ponta’ como a Nova Zelândia desperta em nós o desejo de encontrarmos enfim uma identidade para a produção ovina no Brasil. Portanto, produtor, a escolha é sua e o momento é agora.

Equipe CordeiroBIZ