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CordeiroBiz

II Dia de Campo trouxe novo fôlego para ovinocultores brasileiros

O segundo dia de campo realizado pela equipe do CordeiroBIZ, que aconteceu dia 30 de junho de 2012 em Porangaba – SP, firmou perspectivas positivas sólidas para a ovinocultura de corte ao promover atividades teórico-práticas sobre o planejamento da produção de cordeiros. O tema foi desenvolvido por pessoas de vários estados brasileiros, além da experiência neozelandesa de alguns participantes que trocaram conteúdos através de palestras, oficina prática a campo e muita conversa entre os convidados no decorrer do evento.

Público

O público presente foi constituído por produtores, técnicos, profissionais e pesquisadores vindos dos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e diversas regiões do estado de São Paulo. Apesar da distância física entre os convidados, muitas pessoas já se conheciam virtualmente através das redes sociais e comunidades na internet que debatem a ovinocultura de corte. O dia de campo foi uma excelente oportunidade para reencontros e o primeiro contato pessoal para quem ainda não se conhecia.

Proposta

Quem foi para o dia de campo esperando o “arroz com feijão” se deparou com uma proposta diferente do que vem sendo praticado no mercado. Foi levantada a necessidade emergencial de adotarmos uma postura madura frente à demanda mundial por comida e as responsabilidades dos produtores. Considerando as diversas transformações que estão ocorrendo no planeta Terra e na vida existente nele, o ser humano passa a adquirir constantemente mais consciência das suas relações com o próximo e o ambiente, sentindo a necessidade de evoluir com os seus sistemas de produção de alimento. O foco é a gestão da terra arável através do desenvolvimento de projetos sustentáveis e duradouros, e a ovelha cumpre esse papel. Com a aplicação de tecnologias e conhecimentos para a maior produtividade dessas terras dentro de um planejamento zootécnico consciente, a carne de cordeiro se viabiliza em diversas realidades do Brasil, sendo assim o momento para acertar e servir de exemplo é agora.

Palestras

Após o café da manhã e a abertura do evento, ocorreu a primeira palestra ministrada pelo zootecnista e aluno de pós-graduação na Esalq Daniel Montanher Polizel, que apresentou diretrizes para o mapeamento regional do cordeiro e o entendimento do cenário. Foi enfatizando a importância do conhecimento para o sucesso do negócio aliado a apresentação dos dados preliminares da pesquisa ‘Mapeando a Ovinocultura Paulista’, onde os resultados foram discutidos com os participantes. Na sequencia, a zootecnista e ovinocultora Ana Carolina Prado Zara debateu sobre o gargalo da mão de obra na ovinocultura e o custo para o produtor em diversas situações encontradas no mercado. “O foco da mão de obra deve ser a seleção do rebanho. Precisamos de matrizes produtivas, pois estas irão facilitar a vida do funcionário, para isso é necessário um sistema de produção organizado e pessoas compromissadas com o negócio. O profissional da ovelha é diferenciado, e precisa ser capacitado e remunerado para cumprir com seu papel.”

A bióloga e doutora em parasitologia ovina Bruna Silva apresentou sua linha de pesquisa em vermes gastrointestinais e a relevância dos prejuízos causados a produção. “O melhor vermífugo que existe para combater a verminose em ovinos é a nutrição. Um animal bem nutrido é capaz de ‘eliminar’ os vermes devido à eficiência do seu sistema imunológico, ele é mais saudável. Animais ‘vermentos’ que são recorrentes no teste de OPG devem ser eliminados do rebanho, pois eles estão constantemente infectando as pastagens, consequentemente os outros animais sadios”. Durante as perguntas e discussões, a Dra. Bruna ressaltou que 95% dos vermes estão no pasto, sendo assim o manejo da pastagem é fundamental para a desinfecção do ambiente.

A última palestra foi ministrada pela Dayanne Martins Almeida, zootecnista e representante na América do Sul da One Stop Ram Shop, Nova Zelandia. “Até quando a cadeia produtiva algemará a ovinocultura brasileira? Até quando vamos ficar dando mamadeira para cordeiro rejeitado pela mãe? Precisamos rever conceitos básicos sobre produção e deixar de criar ovelha para produzir carne”. Estes foram alguns questionamentos levantados pela Dayanne antes de apresentar os principais conceitos sobre melhoramento genético utilizados na Nova Zelândia, expondo as possibilidades para o Brasil expressar o seu potencial e contribuir com a produção da carne de forma representativa e pioneira. “Melhoramento genético não é ficção científica, isso já acontece quando se descarta animais improdutivos na fazenda. Precisamos ter esse conceito em mente. O animal precisa apresentar resultados”, completa.

Após o ciclo de palestras, os convidados participaram de um almoço que teve como prato principal a carne de cordeiro para apreciação. Descansados, os participantes partiram para a etapa final do dia de campo: a oficina prática na fazenda.

Oficina Prática

A atividade prática foi realizada pelo zootecnista Renato Mantovani, sócio proprietário da Cabanha Mantovinos que sediou o II Dia de Campo, com o auxílio da Dayanne e do zootecnista Marco Aurélio Factori, doutor em manejo de pastagens e aluno de pós-doutorado na Unesp de Botucatu. Renato apresentou a sua propriedade e o sistema de produção em funcionamento, detalhando também sua experiência ao conhecer a indústria ovina na Nova Zelândia.

A atividade se iniciou pelo manejo das pastagens da fazenda através de uma caminhada pelos piquetes, depois visita às instalações e prática com os animais. No centro de manejo foram separados dois lotes: o primeiro lote de fêmeas em fase final de gestação e o outro alguns carneiros reprodutores da propriedade, possibilitando aos participantes debateram sobre a escolha do melhor animal através de uma avaliação externa, confrontando as informações com outras ferramentas de avaliação que podem ser aplicadas e garantem ao produtor os resultados ofertados. “Ao escolher um carneiro pelo fenótipo, compra-se um pacote, um embrulho, onde está uma infinidade de características genéticas que não conseguem ser mensuradas sem o acompanhamento do desempenho zootécnico desse animal, como taxa de cordeiros desmamados, taxa de prolificidade das suas filhas… exemplos de informações relevantes para o sucesso da atividade e renda ao produtor”, esclareceu Dayanne em uma de suas abordagens.

Resultados

O II Dia de Campo foi promovido pelo CordeiroBIZ, Cabanha Mantovinos, revista Cabra & Ovelha, Nutrir – Empresa Jr. de Nutrição de Ruminantes e todos os parceiros do projeto CordeiroBIZ e colegas da equipe que se empenharam para que o evento alcançasse o sucesso que conseguiu. Confira abaixo alguns depoimentos dos participantes:

“Realmente foi compensador participar desde dia de campo, onde tivemos a oportunidade de aprender um pouco mais com essa equipe de jovens profissionais, mas já profissionais em uma das atividades mais promissoras para o Brasil. Temos muito que aprender, mas estamos no caminho certo desta. Até a próxima oportunidade”. Jaime de Oliveira, Cabanha Villa Nova, Itapetininga – SP.

“Depois de receber muita informação no segundo dia de campo, resolvi encarar esta empreitada, estou me preparando para começar a minha criação”. Paulo Roberto Pedro, Guaraçaí – SP.

“Vocês estão de parabéns, estava tudo ótimo, fomos muito bem recebidos, o evento foi bastante proveitoso e tivemos grande satisfação em conhecer toda a equipe do CordeiroBIZ, que achamos fantástica, tanto pessoal como profissionalmente. Espero que possamos nos reencontrar em breve”. Felipe Pereira Nunes e Izabella, Viamão – RS.

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Equipe CordeiroBIZ

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